“Estamos no fundo do poço”- Teodato Hunguana

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Na   conferência   da  quarta feira  passada (10)

Teodato Hunguana  foi  incisivo e essa verticalidade que lhe é peculiar já estava anunciada logo nas suas primeiras palavras ao subir ao pódio. “O momento que o nosso País atravessa não é nada bom. Sobretudo não é de festas, não é de júbilos, nem de alegrias. Pelo contrário é de grave preocupação pela perigosa situação política e económica com que nos confrontamos. Provavelmente a mais grave, preocupante e perigosa de sempre”, disse em jeito de introdução.

À saída, o SAVANA pediu-lhe detalhes sobre o que chamou de situação perigosa de sempre que o país atravessa. Em  resposta, disse que não levaria tempo a elaborar, mas em poucas palavras resumiu o seu posicionamento que é bem perceptível para um bom entendedor.

“Nós  estamos  de  novo  numa situação de guerra que tem  o risco de se generalizar. Nós estamos

numa  situação económica terrível e olhando para as causas que nos levaram a esta situação, o país está de facto num buraco e nós estamos numa situação em que há riquezas naturais que foram descobertas neste país e tínhamos condições para  descolar  o   desenvolvimento económico; este país estava em condições de descolar com as receitas dessa riqueza e de repente vê-se no fundo do poço”, reagiu.

Hoje na liderança da Moçambique Celular (mCel), onde exerce o cargo de Presidente de Conselho  de Administração (PCA),  Hunguana diz que temos de sair do fundo do poço, mas ainda não se está claro qual é que vai ser a saída, naquilo que cheira a um recado ao governo de Filipe Nyusi que se mostra num cenário de “faz de conta”.

“Temos de sair, mas quanto tempo vamos permanecer nesta incerteza em que ainda não vemos claro qual é a saída? Isto é extremamente perigoso. Eu não julgo que em algum momento depois da independência nós estivéssemos numa situação de angústia tão grande de não vermos, exactamente, a luz no fundo do túnel como agora, do ponto de vista da estabilidade, do ponto de vista económico e estamos a viver isto no dia-a-dia e a situação se está a generalizar e a se agravar”, descarregou.

Perante  as  insistências  do  nosso jornal sobre as razões que empurraram o país à actual crise, que para muitos está intrinsecamente ligada a esquemas de corrupção, Hunguana evitou qualquer comentário. “Não, não me queiram levar a escavar as raízes dum problema que hoje qualquer pessoa fala aí na rua. Quanto às causas, encostem o microfone a qualquer pessoa na rua vai dizer porque se for eu a dizer vão dizer que estou a fazer acusações”, argumentou.

A fonte, que na sua alocução destacou a tolerância do presidente Chissano na construção do Estado  moçambicano, antes  e  depois da guerra civil, esclareceu ainda ao nosso semanário, já no capítulo da

 

tensão  político-militar,  que  “o que falhou depois do processo que o presidente Chissano conduziu bem até a paz, em Roma, e depois, foi a reconciliação”. Entende que a reconciliação falhou porque perdeu-se o espírito de tolerância, de coexistência nas diferenças.

“Perdeu-se isso. Então, ele (Chissano)  é  de  algum  modo o símbolo da tolerância que se exerceu a partir do ponto mais alto do Estado, como chefe de Estado. Ele exerceu efectivamente  essa tolerância e é isso que é necessário valorizar num momento em que sentimos que foi  a  falta  desses valores que talvez nos conduziu também à situação em que estamos”, desafiou, num discurso que sugere mais tolerância por parte do governo do engenheiro de Moeda.

É  que, para Teodato Hunguana ,  neste momento, está a falar da tolerância entre nós todos, enquanto valor da democracia.

Savana 

Veja também: Moçambique está à beira de ser colonizado pelos credores internacionais – Teodato Hunguana 

 

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