Órgãos de comunicação social vandalizados em Moatize. Jornalistas falam de tentativa de silenciamento

Um jornal e uma rádio em Moatize, centro de Moçambique, foram vandalizados e perderam todo o equipamento e uma outra emissora sofreu uma tentativa de assalto no mesmo distrito, disseram hoje à Lusa fontes dos órgãos de comunicação social.

No Sábado, o semanário Malacha ficou sem todo o material informático, dois gravadores digitais, uma câmara fotográfica e o arquivo digital do jornal que remonta a 2011, na sequência de uma vandalização e roubo das instalações, no distrito de Moatize, província de Tete.

“Neste momento o jornal está a envidar esforços para, por vias alternativas, publicar a edição número 254, ainda dentro desta semana, apesar de estarmos sem meios”, disse à Lusa Aparício José, editor do Malacha, adiantando que foi apresentada uma queixa na polícia contra desconhecidos.

A edição semanal que devia sair para a rua na Segunda-feira falhou, tendo a equipa editorial voltado a escrever os conteúdos, na tentativa de publicar a próxima edição na Quarta-feira, embora com um “design” antigo.

Na madrugada da Quarta-feira, um grupo de desconhecidos roubou igualmente material informático, microfones, um receptor profissional, consolas, uma câmara digital e uma motorizada na redacção da Rádio Comunitária de Cateme, também no distrito de Moatize.

“O locutor que ia abrir a emissão da Quinta-feira encontrou o portão de vedação aberto e o da entrada do edifício fechado, com o guarda lá dentro, amarrado e a chorar”, descreveu Daniel Bernardo, jornalista da rádio comunitária.

Na madrugada de Segunda-feira, um grupo de cinco homens entrou por sua vez no recinto da missão paroquial São João Baptista, onde fica instalada a Rádio Dom Bosco, também em Moatize, contudo sem sucesso.

“Cinco homens começaram a rondar o corredor lateral da igreja católica, que dá acesso à área onde se localizam os estúdios da Rádio Dom Bosco durante a madrugada, mas colocaram-se em fuga quando se aperceberam que alguém os estava observando”, disse à Lusa Micheque Dinga, jornalista da estação.

Pelos moldes de acção, Dinga suspeita que o grupo seja o mesmo que vandalizou os outros dois órgãos de comunicação social, com o objectivo de “limpeza de material de informação e um suposto plano de silenciar as vozes do povo”.

Os três órgãos de comunicação social são conhecidos pela sua imparcialidade na cobertura e abordagem de casos de corrupção e da actual crise político-militar e divulgaram o caso dos refugiados moçambicanos no Malaui, no início do ano, quando as autoridades locais negavam.

“Eu penso que é uma caça aos órgãos de comunicação social, por ser notável haver três assaltos em menos de uma semana”, declarou Aparício José, do jornal Malacha.

A polícia disse que está a investigar os casos, sem mais detalhes.

JN

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