Renamo preocupada com “provocações” mas trégua em Moçambique não está em causa

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A Renamo está preocupada com “provocações em violação das tréguas declaradas” em Moçambique, denunciadas hoje num documento enviado à Lusa, mas afastou o fim do cessar-fogo provisório declarado pelo líder da oposição, Afonso Dhlakama, disse o porta-voz do partido.

“Esta situação deixa alguma preocupação mas até aqui o presidente Dhlakama tem conseguido segurar os seus homens”, afirmou à Lusa o porta-voz da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), António Muchanga, indicando que a trégua de seis meses não está em causa.

A Renamo denunciou hoje várias “provocações em violação das tréguas declaradas” em Moçambique, entre um homicídio, raptos, roubos, intimidações e extorsão, informou à Lusa fonte oficial do maior partido de oposição.

“Ficámos a saber que há provocações em violação das tréguas declaradas”, afirma um documento da Renamo entregue hoje à Lusa, intitulado “Balanço dos últimos acontecimentos no país”, e que conclui que “as forças do Governo não estão preparadas para garantir os 60 dias de tranquilidade”.

O documento elenca vários incidentes nas províncias de Tete, Manica e Sofala, centro de Moçambique, poucos dias após o anúncio do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, de prolongar uma trégua de uma semana, declarada a 27 de Dezembro, por mais dois meses, após uma conversa telefónica com o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

“Lamentamos que os dirigentes da Renamo que deviam estar a fiscalizar a trégua estejam obrigados a esconder-se, porque estão a ser ameaçados pela Frelimo [Frente de Libertação de Moçambique, partido no poder]”, afirmou o porta-voz do maior partido de oposição, que disse esperar que Afonso Dhlakama continue “a exercer a sua influência positiva” no processo negocial.

António Muchanga apelou às pessoas envolvidas nos incidentes denunciados pela Renamo para que “façam uma introspecção e respeitem a Constituição, que nunca falou da Comissão Política da Frelimo”, sugerindo a existência de acções do partido no poder para prejudicar as negociações de paz entre Nyusi e Dhlakama, e também das Forças de Defesa e Segurança e órgãos de comunicação estatais.

Contactado pela Lusa, o porta-voz do Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Inácio Dina, disse não ter “qualquer registo de tais incidentes” e remeteu qualquer declaração apenas para o momento em que tiver confirmação de alguma ocorrência.

A Lusa ouviu também os comandos das províncias mencionadas pelo documento.

“Não temos registo de nenhum incidente e até ao momento o período de trégua, ao nível da nossa província, decorre normalmente”, afirmou Lurdes Ferreira, porta-voz do comando provincial da PRM em Tete.

Do mesmo modo, Leonardo Colher, porta-voz da PRM em Manica, disse não ter conhecimento de nenhuma ocorrência, referindo, no entanto que ia consultar fontes no terreno para actualizar a sua informação, e o comando de Sofala não respondeu ainda à Lusa.

Moçambique vive uma crise política e militar provocada pela recusa da Renamo em aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, alegando fraude.

Lusa

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