Morreu Mário Soares

Mário Alberto Nobre Lopes Soares morreu, hoje, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, onde esteve internado desde o último dia 13 de Dezembro. Em vida ocupou os cargos de Ministro dos Negócios Estrangeiros, Primeiro-ministro durante três mandatos e outros dois como Presidente da República portuguesa. Soares foi um grande impulsionador das independências das antigas colónias de Portugal.

Durante muito tempo, Mário Soares foi perseguido e esteve exilado em São Tomé e Príncipe e na França. Chegou a ser preso por causa da sua oposição ao regime ditatorial fascista e pelo seu posicionamento favorável às independências das até então colónias portuguesas.

Depois do golpe de Estado de 25 de Abril de 1974, que pôs fim ao regime fascista em Portugal, Soares, na altura exilado, regressou a Portugal para assumir a pasta de Ministro dos Negócios Estrangeiros. Nesta altura, Mário Soares definiu a independência das ex-colónias portuguesas como prioridade da política externa de Portugal.

Mário Soares defendia a descolonização, democratização e desenvolvimento das antigas colonias, contra uma corrente do então Presidente português António Spínola, que acreditava na formação da “Federação Lusitana”. Spínola queria uma espécie de acordo de paz, mantendo o estatuto de colónia aos territórios conquistados por Portugal.

Mário Soares ofereceu oposição ao seu Presidente como ministro dos Negócios Estrangeiros do novo Governo, iniciando conversações para a libertação imediata de Moçambique e outros países sob dominação colonial portuguesa.

Soares estava convencido de que a via armada, muito defendida por Portugal na altura, não oferecia garantias à Lisboa de vencer os Movimentos de Libertação Nacional.

Mário Soares iniciou uma digressão pelos países africanos que lutavam pela independência, em Abril de 1974. Uma delas foi em Lusaka, Zâmbia, onde protagonizou um momento histórico, que ficou conhecido como “Abraço de Lusaka”, quando abraçou o então Presidente Samora Machel, violando o protocolo que tinha sido definido.

Era início de um processo de descolonização de Moçambique, que veio culminar com a assinatura dos Acordos de Lusaka, a sete de Setembro de 1974, cinco meses depois do início das negociações.

Quando deixou o cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros, em 1975, seguiram-se dois mandatos entre 1976 e 1985 como Primeiro-ministro, altura em que fundou o Partido Socialista. A seguir, Mário Soares foi Presidente português por dois mandatos, entre 1986 e 1996.

Voltou a recandidatar-se em 2006 mas perdeu a eleição para Aníbal Cavaco Silva. Até à sua morte desempenhava o cargo de Presidente da Comissão Religiosa.

O pais

Loading...

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *