Governo e Renamo assinam memorando sobre assuntos militares

O governo e a Renamo assinaram ontem um memorando de entendimento sobre assuntos militares, abrindo caminho para o desarmamento, desmobilização e reintegração dos homens da perdiz, com vista ao alcance da paz efectiva e duradoura no País.

O anúncio foi feito ontem, em Maputo, pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, que disse que o memorando resulta dos consensos alcançados no último encontro com o coordenador interino da Renamo, Ossufo Momade, havido no dia 11 de Julho do ano em curso.

“O memorando indica, de forma clara, o roteiro sobre os assuntos militares, os passos subsequentes e determinantes para o alcance duma paz efectiva e duradoura no que tange ao desarmamento, desmobilização e reintegração”, afirmou.

A assinatura do memorando coincide com a passagem de um ano após o primeiro encontro que o Chefe do Estado manteve com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, nas matas da serra da Gorongosa, na província central de Sofala.

“De forma genuína, estou convicto que pedra a pedra podemos construir Moçambique próspero e livre de conflitos, é nesse espírito que no dia 6 de Agosto de 2017 realizei a minha primeira viagem a serra da Gorongosa ao encontro do falecido líder da Renamo, meu irmão Afonso Macacho Marceta Dhlakama”, afirmou, reiterando seu compromisso com a paz através do diálogo.

“Fizemo-lo acreditando que, com paciência, tolerância, compreensão, espírito de reconciliação e uma dedicação singular aos resultados, a paz poderia ser construída pelos próprios moçambicanos”, disse.

Nyusi destacou a aprovação pela Assembleia da República (AR), parlamento, da emenda constitucional que permitiu avanços no processo de descentralização e a aprovação pelo mesmo órgão em sessão extraordinária da legislação eleitoral que vai viabilizar a realização das quintas eleições autárquicas a 10 de Outubro próximo.

“De igual modo, registamos progressos no âmbito dos assuntos militares, os quais tem contribuído significativamente para estabilidade político-militar permitindo assim a retoma da nossa economia”, afirmou.

O estadista moçambicano saudou a liderança da Renamo, coordenada por Ossufo Momade, que mesmo com o desaparecimento físico do seu líder, Afonso Dhlakama, não parou com o processo por ele iniciado.

Nyusi revelou que dentro de dias o governo vai anunciar os passos consequentes que dependia do memorando hoje concluído

“Quero, mais uma vez, afirmar, perante a todo povo moçambicano, que eu e o meu governo, tudo continuaremos a fazer para que Moçambique viva a paz em paz, onde o direito democrático e a justiça social são uma realidade”, declarou.

O Presidente da República apelou aos moçambicanos e a comunidade internacional para continuarem a apoiar esforços em curso em prol da paz no país.[CC]

F. MAPUTO

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