Carta aberta ao primeiro-ministro Carlos Agostinho do Rosário – Nini Satar

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Carta aberta ao primeiro-ministro Carlos Agostinho do Rosário

 

Esta é a segunda vez que lhe escrevo, senhor primeiro-ministro. A primeira foi quando denunciei os escândalos protagonizados pelo SERNAP em prejuízo da cadeia de máxima segurança, e pedia a sua intervenção para que encorajasse o ministro da Justiça a ir ver “in loco” o que estava a acontecer na BO. Em menos de 48 horas o meu pedido foi satisfeito. Resolveu-se o problema, facto que me orgulha e lhe agradeço, senhor primeiro-ministro.

Desta feita, senhor primeiro-ministro, escrevo-lhe porque as notícias que ando lendo e ouvindo sobre o meu país me inquietam. Se for verdade o que a imprensa diz, o país está à beira de um colapso financeiro. Não lhe quero culpar por isso, senhor primeiro-ministro. Só lhe quero alertar para que se o senhor não tomar as devidas providências o país económico vai afundar ainda mais. Sei que herdou Moçambique tecnicamente falido.

Repara senhor primeiro-ministro que para reparar o tal de transformador que coloca as cidades de Maputo e Matola no apagão, são necessários dois milhões e trezentos mil dólares americanos, cerca de um milhão e meio de libras. Não está claro para si que isto é um rombo?

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Agora é o problema da TDM que precisa de uma injecção financeira na ordem dos 500 milhões de dólares. Valha-me Deus. Repito: 500 milhões de dólares, ou seja, meio bilião de dólares. Desculpa senhor primeiro-ministro: poderá dizer ao povo moçambicano o que está a acontecer?

É que Moçambique se tornou um país onde falar de rombos financeiros é normal. Ora sãos as sistemáticas fraudes na EDM. Falência táctica da Mcel, Correios de Moçambique. Problemas financeiros na companhia de bandeira, a LAM. Roubalheira desenfreada nos CFM. Mabor? Desta empresa já nem falo! Sem esquecer o emblema da roubalheira nacional que é a Ematum, uma empresa que funciona num contentor minúsculo no Porto de Maputo, mas, contudo, a partir desse mesmo contentor foram chancelados documentos que endividaram o Estado moçambicano em 850 milhões de dólares. Que país é este, senhor primeiro-ministro? Isto é de bradar os céus!!!!

Poderá nos esclarecer, senhor primeiro-ministro, para quê a TDM precisa efectivamente dos 500 milhões de dólares? É que estamos num mundo onde a tecnologia está tão avançada e que as linhas fixas vão sucumbindo dia após dia e mesmo os telefones móveis não se vão aguentar muito, ou seja, estão tremidos.

Hoje, senhor primeiro-ministro, as comunicações já são feitas através do Viber, Whatsapp, Messenger e outros meios. Qual é o futuro da TDM, ou seja, para quê injectar 500 milhões de dólares? Será que a empresa precisa realmente desse dinheiro ou é mais uma daquelas roubalheiras habituais?

Há meses atrás foi anunciado que a Mcel está tecnicamente falida. A mesma Mcel, há alguns anos atrás, estava no “top five” das melhores empresas moçambicanas, segundo a pesquisa da KPMG. Há alguma explicação para isso? Isso não será uma falência táctica? Isto são rombos, senhor primeiro-ministro!!!

Não vou recuar muito ao tempo da governação de Joaquim Chissano. Vou falar da governação de Armando Guebuza. A Luísa Diogo, nos seus últimos anos como primeira-ministra, o que fez? Absolutamente nada! Foi substituída por Aires Aly e trouxe mentiras de cesta básica que afinal nunca chegaria ao povo e acabou saindo do Governo pela porta dos fundos. Onde é que ele está? Veja que até se chegou a conjecturar que ele poderia ser Presidente da República. Depois veio o Alberto Vaquina, que de simples governador, subiu à primeiro-ministro. Que novidades trouxe? Deixou-nos cada vez mais endividados. Só o escândalo da Ematum já diz tudo.

Posso dizer, sem reservas, que o senhor primeiro-ministro é uma pessoa de carácter. É uma pessoa do bom e do bem. Conheço o seu passado e das instituições pelo que passou. O senhor é um exemplo a seguir, mas ao que tudo indica isto pode acabar mal. Ou seja, pode acabar por manchar a sua boa reputação se se deixar ludibriar por esses criminosos que estão no Governo e que só querem sugar do erário público. Só querem saber de roubar ao povo.

O senhor, julgo eu, tem capacidade até de sobra para se não deixar levar por esses fantoches que falam em nome do povo quando é uma verdadeira farsa. Já pude conversar consigo através do facebook sei pelo menos que é atencioso. Não se deixe ludibriar, senhor primeiro-ministro. O Moçambique que temos hoje em mãos também pertence às gerações vindouras. Não vamos escangalha-lo nós agora como se daqui a 20 anos não existisse mais Moçambique. este país é eterno e temos que fazer de tudo para que os nossos filhos e netos o recebam em boas condições.

Abaixo a roubalheira, senhor primeiro-ministro.

Nini Satar

Jacinto G. Manusse

É um Empreendedor e Consultor de Marketing Digital que dedica a sua vida à produção e partilha de conteúdos de grande qualidade, contando já com alguns dos mais reconhecidos blogs em Moçambique.

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