Colapso (9) Nini Satar

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Colapso (9) Nini Satar

Ultimamente, me tenho concentrado à situação económica do país. Moçambique, definitivamente, está mal, para evitar dizer que está na lama. Recordo-me num dos meus posts ter dito que o país está de “tangas”. E isso não me satisfaz. Como moçambicano de raiz que sou, e sobretudo porque amo o meu país, preocupam-me os cerca de 23 milhões de moçambicanos que estão (estarão) na desgraça.

O que mais me aborrece nisto tudo, é que quase 80 por cento dos moçambicanos ainda não enxerga a real dimensão do colapso em que o país se encontra. A meu ver, quando o dólar chegar a 100 meticais, Moçambique vai alcançar índices de corrupção jamais vistas. Haverá corrupção em todos os sectores. Repito: em todos os sectores!!!

A criminalidade vai atingir índices jamais alcançados. Pessoas que nunca roubaram a ninguém, começarão a roubar por causa da fome. Vizinho vai assaltar outro vizinho. Os mercados estarão vazios. Quem tiver algum dinheiro para comprar qualquer coisa para o seu sustento, fará isso às escondidas por medo de ser assaltado. Não haverá polícia nem exército que abrande a criminalidade. Em nome da fome, tudo é possível. Até as mulheres venderão o seu corpo por migalhas.

Na passada quarta-feira, no meu post sobre colapso, falei da empresa Aeroportos de Moçambique e disse que era um caso de estudo. A empresa, como disse, está à beira do colapso. O texto foi publicado às sete e meia, hora de Moçambique. No mesmo dia, um pouco mais tarde, o ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita, veio a dar-me razão.

Ele disse que as empresas públicas do ramo de transportes e comunicações, nomeadamente LAM, TDM, CFM, ADM, Trans-marítima, e tantas outras, estão mergulhadas numa crise financeira sem precedentes. Afinal, eu não estava a mentir e não sou vidente. É a realidade do país nua e crua.

Alguns amigos meus do Ministério dos Transportes e Comunicações garantiram-me que as empresas públicas ligadas a este ministério, estão numa verdadeira catástrofe. Haverá uma necessidade imperiosa de concessionar os Aeroportos e uma possível privatização.

Hoje, já não é vergonha os governantes virem ao público dizer que estamos falidos. Carlos Mesquita pode ser visto neste vídeo que postei aqui. Defende uma reestruturação das empresas. Aceita que estão falidas. Disse isso no 34° Conselho Coordenador do seu pelouro. Estavam lá quadros da instituição e alguns convidados. Ele disse que “as empresas públicas do sector dos Transportes e Comunicações encontram-se numa fase financeira e económica delicada”.

Ele disse que o Governo tem estado atento. E depois, o que o Governo vai fazer? Praticamente nada porque não tem dinheiro para as sustentar. Por isso que vai avançar, desta feita, com a privatização dos aeródromos de Bilene, Ponta de Ouro, Lumbo e Vilanculos. Já é um começo, contudo triste. Triste porque o Governo só vai avançar para a privatização porque é empurrado pela crise. Não passou por um estudo de viabilidade. Pode ser até que tal privatização, no futuro, se revele menos acertada.

Por outro lado, empresários do ramo hoteleiro, nomeadamente os que operam em Vilanculos, Ponta de Ouro, Bilene, Bazaruto, entre outros locais, dizem estar a fechar as suas instâncias turísticas porque só somam prejuízos. Não há clientes. Aliás, alguns até pedem ao Governo para reduzir os encargos fiscais. A minha pergunta é: como é que o Estado pode aplicar tais incentivos se também depende da colecta de impostos para pagar os seus funcionários?

Reduzir os impostos ou encargos fiscais é o mesmo que o Estado perder dinheiro. Não há outra fonte para sustentar a função pública, no seu todo, se não for na base de impostos. E mais: o Estado é o maior empregador. E quantos funcionários ficariam sem salários?

Há um empresário do ramo hoteleiro, em Vilanculos. Diz ter fechado a sua instância e, consequentemente, 30 trabalhadores seus ficaram sem emprego. Isto é grave. Estamos a falar de trinta famílias. Os trabalhadores que ficaram sem emprego são chefes de família. Eventualmente, as suas famílias dependiam única e exclusivamente duma pessoa. E essa pessoa perdeu emprego. O que será dessas famílias?

O sector turístico em Moçambique está em crise devido a guerra que dizima os nossos compatriotas na zona centro. Há quem chame aquilo de tensão político-militar. Isso é política. Aquilo é guerra, sim. Já fez vários deslocados. Muitas escolas e hospitais foram fechados. E isso não é guerra?

Como é que queremos que o turista venha deliciar-se nas nossas praias se tem medo da guerra? Quer dizer, além das dívidas ocultas, o país soçobra, grosso modo, por causa da guerra. Se os políticos deixassem a população trabalhar em paz, pelo menos haveria com que matar a fome. Quantos camponeses deixaram de produzir? O que comem? Onde é que estão? Não acham, caros amigos do Facebook, que os políticos estão a atrasar o nosso país? Ora é a Ematum, guerra, tudo isto em nome dos seus caprichos.

 

Nini Satar

Jacinto G. Manusse

É um Empreendedor e Consultor de Marketing Digital que dedica a sua vida à produção e partilha de conteúdos de grande qualidade, contando já com alguns dos mais reconhecidos blogs em Moçambique.

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