As mentiras da Renamo

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‘‘Ninguém gosta duma pessoa que é, obviamente, insincera no que diz e faz; que tenta ser algo que não é, ou que está a dizer algo que não representa o que vai no seu íntimo. Não é tão mau que alguém passe a vida a mentir e mentir, mas é tão mau quando alguém carece dum propósito de sinceridade’’, Napoleon Hill, pensador americano.

SE o caro leitor dispuser de tempo e se esforçar para se recordar das várias declarações públicas proferidas pelo líder da Renamo, Afonso Dhlakama, nos últimos 24 anos, certamente que perceberá porque é que comecei este artigo citando a célebre frase de Napoleon Hill.

Citei este grande pensador e autor de livros com vendas recorde porque Dhlakama não é sincero, tanto no que diz como no que faz. Não só não é homem de palavra como bem o disse, uma vez, o Presidente Guebuza, como mente descaradamente para conseguir realizar os seus objectivos com base na violação das leis e de práticas aceitáveis.

Uma das suas últimas mentiras é a que diz respeito às eleições gerais de 15 de Outubro de 2014, segundo as quais a Renamo ganhou em seis províncias, nomeadamente Niassa, Manica, Tete, Nampula, Sofala e Zambézia. Esta afirmação não é verdadeira. A Renamo não teve vantagem relativa sequer em todas estas províncias. Isto porque, em quatro delas não teve mais  votos em relação aos outros 29 partidos concorrentes  nestas eleições, ganhas de forma limpa e transparente pela Frelimo e pelo seu candidato, o Eng. Filipe Jacinto Nyusi.

Para os leitores que nunca tiveram acesso aos resultados eleitorais de 15 de Outubro de 2014, ou que eventualmente se tenham esquecido dos mesmos, faço questão de publicar aqui e agora os resultados oficiais referentes a estas seis províncias, os quais mostram que só em Sofala e Zambézia é que a Renamo teve um resultado um pouco acima do que foi obtido pela Frelimo.

Em Sofala a Renamo obteve 48% dos votos válidos contra 36% da Frelimo e 14% do MDM. Na Zambézia a Renamo teve 47% dos votos válidos contra 40% da Frelimo e 15% do MDM. No que se refere às outras quatro províncias em que Dhlakama reclama vitória, tal facto não corresponde nem de perto à verdade, dado que o partido que teve vantagem foi a Frelimo. Em Manica, a Frelimo teve 47% contra 45% da Renamo e 14% do MDM. Em Nampula, a Frelimo teve 44,63% contra 44,27% da Renamo e 7% do MDM. No Niassa, a Frelimo teve 51% contra apenas 41% da Renamo e 8% do MDM. Em Tete a Frelimo teve 47% contra 45% da Renamo e apenas 6% do MDM. Como se vê, somente em duas províncias – Sofala e Zambézia –  é que a Renamo obteve uma ligeira vantagem de 12 e 07 por cento, em relação à Frelimo. Como ainda se vê, e a julgar pelo aqui exposto, Dhlakama falta à sinceridade, para não dizer que está a mentir.

No caso de Nampula, o que aconteceu foi quase um empate técnico, mas, mesmo assim, a Frelimo teve mais 63 cêntimos contra 27 da Renamo, o que, a ser-se rigoroso na análise matemática, atesta que o vencedor nesta província é, sem dúvida, a Frelimo.

Assim dito, a exigência de Afonso Dhlakama de querer governar as seis províncias porque alegadamente o seu partido ganhou não corresponde à verdade. Ele não está a ser sincero consigo próprio e connosco, seus compatriotas. É por isso que em 2012 escrevi um artigo em que dizia que a liderança da Renamo em geral e de Dhlakama, em particular, é de batoteiros, que querem ganhar tudo com base na batota. Olhando para os factos eleitorais, conclui-se que o diálogo que decorre em Maputo entre as delegações do Governo e da Renamo, com o apoio dos mediadores estrangeiros, se baseia num propósito insincero de Dhlakama segundo o qual ganhou em seis províncias.

Infelizmente, Dhlakama tem estado a matar-nos para forçar o Governo de Nyusi a dar-lhe as seis províncias para governar. Para esta sua exigência, Afonso Dhlakama tem sido apoiado por algumas chancelarias que ambicionam os nossos recursos naturais, e que sabem que, caso consigam colocar a Renamo no poder, terão esses recursos à sua disposição, dado que a “Perdiz” foi sempre instrumento da guerra que os nossos inimigos externos nos têm movido. Ontem a Renamo esteve ao serviço do apartheid e do regime de Ian Smith, e hoje está ao serviço de certas potências ocidentais que têm os seus olhos sobre as riquezas que dormem no nosso solo, subsolo e nas nossas águas territoriais.

Nessa sua tirada bélica contra o nosso país, tais chancelarias têm estado a contar com o apoio de membros da Quinta-Coluna, que neste caso são nossos compatriotas que trabalham em prol dos nossos inimigos, em troca de dinheiro e de outros bens.

São traidores e agem de um modo tão aberto que não se coíbem de fazer apologia ao belicismo da Renamo nos seus jornais e estações de rádio e televisão, como se não sabessem que quando o nosso país for destruído eles serão os que irão sofrer com as suas famílias, enquanto as nossas riquezas estarão a beneficiar esses inimigos que apoiam a troco de alguns dólares. São alguns dos membros desta Quinta-Coluna que  fazem mais eco a esta mentira de Dhlakama e da Renamo segundo a qual ganhou em seis das 10 províncias. Desafio os membros da Quinta-Coluna a provarem isto, incluindo o medíocre Armando Nenane, que se tem revelado o mais barato de todos os membros apostados em promover uma agitação do tipo “Primavera Árabe” no nosso país.

Para que o amigo leitor veja que a Renamo não ganhou, convido-o a revisitar os resultados eleitorais de 2014, pois estão disponíveis na Google e noutras páginas ou sites da Internet.

Para mim, estes nossos traidores são a vergonha nacional e a causa da desgraça. Temos de os denunciar para que saibam que foram descobertos neste seu empenho de ajudar os nossos inimigos.

Gustavo Mavie

Jacinto G. Manusse

É um Empreendedor e Consultor de Marketing Digital que dedica a sua vida à produção e partilha de conteúdos de grande qualidade, contando já com alguns dos mais reconhecidos blogs em Moçambique.

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