Serra da Gorongosa não é “monstro de sete cabeças”

A SERRA da Gorongosa, no distrito do mesmo nome, em Sofala, não é nenhum “monstro de sete cabeças”, mas pura e simplesmente um lugar onde a convivência é pacífica e que, futuramente, poderá ser transformado num centro turístico.

Foi assim que descreveu o comandante das Forças da Defesa e Segurança (FDS) estacionadas naquele ponto, o coronel Wande-Wane Bedford, quando conversava com o nosso repórter, quinta-feira, nas matas do quartel de Namagiwa (Rolas), antiga base Mazembe da Renamo.

O coronel Wande-Wane Bedford, que equivale dizer “vou encontrar-te”, apresentou, demoradamente, à Imprensa a zona formada por um total de 67 palhotas localizadas no cume da serra da Gorongosa, debaixo de árvores frondosas, cujo acesso é simplesmente dramático.

Exemplo disso, num carro de assalto, vulgo blindado, em que os jornalistas foram transportados, primeiro, do quartel da vila de Gorongosa à Santungira, numa distância de 30 km, e depois noutro veículo militar similar, num raio de 10 km, até Nhamagiwa, a circulação foi caracterizada por avanços e recuos entre as encostas montanhosas, à mistura de riachos e troncos das árvores.

No terreno, a circulação de pessoas e bens ao longo da estrada Gorongosa/Casa Banana processa-se com normalidade, os camponeses retomam a prática de actividades agrícolas, os serviços sanitários e actividades do posto administrativo de Vundúzi foram reactivadas, embora de forma tímida, faltando apenas a reabertura do processo de ensino e aprendizagem.

Tal reposição da ordem e tranquilidade públicas, conforme apurámos junto do motociclista Manuel Candrinho, que, diariamente, realiza, em média, três viagens numa distância de 30 km entre a vila da Gorongosa e Vundúzi, deve-se ao abrandamento da troca de tiros entre as FDS e os guerrilheiros da Renamo.

O camponês Afonso Andrade subscreveu a posição expressa por Candrinho, acrescentando que, embora a tensão militar tenha afectado negativamente a produção agrícola nas terras aráveis da serra da Gorongosa, os residentes contam com alguma segurança alimentar.

O comandante Bedford orgulha-se do facto de as Forças da Defesa e Segurança terem desalojado e posto fora da acção aqueles que chamou por bandidos armados que matam e semeiam terror ao longo das estradas nacionais números um, que liga o país do Rovuma ao Maputo, e sete, entre Vandúzi e Tete.

Das zonas visadas, conforme revelou àquele oficial superior do Exército, constam Mussicavo-2, Nhauranga, Nhandonde, Nhancunga, Kanda, Nhandale e Nhamizicwa, tendo sido libertadas do cativeiro da Renamo 1200 famílias, que já colaboram com as autoridades governamentais para a normalização das suas vidas, através da implementação de diversos projectos.

De entre os projectos concretizados pelos militares na reinserção social das comunidades, aponta-se a abertura manual de picadas, através do programa “comida pelo trabalho”, incluindo promoção duma feira de saúde pelas entidades do sector no distrito de Gorongosa.

HORÁCIO JOÃO

Jornal Noticias

 

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