Curandeiro detido por impedir o regresso de 22 pacientes à casa

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Um praticante de medicina tradicional de nome Frederico Mangarcio, de 44 anos de idade, está detido, desde semana finda, pela Polícia da República de Moçambique (PRM), no distrito de Mulevala, província da Zambézia, acusado de manter reféns em sua casa um total de 22 pacientes, que se encontravam a receber tratamentos.

Tudo começa a 11 de Setembro passado, quando o curandeiro se encontrava no bairro Acordos de Lusaka, cidade de Quelimane, a prestar seus serviços a algumas famílias. E porque muitas pessoas precisavam de tratamento, Mangarcio propôs que fossem com ele para a sua residência, no distrito de Mulevala. Após os pacientes aceitarem a condição imposta, o curandeiro alugou uma viatura e levou consigo 10 pessoas àquele distrito, onde foram juntar-se a outras 12.

Com o passar do tempo, as famílias das vítimas em Quelimane, já desesperadas pelo não regresso dos seus parentes, trataram de informar o Comando provincial da PRM na Zambézia a demora que estava a verificar-se.

Por sua vez, o Comando provincial accionou o comando distrital de Mulevala, o qual desencadeou uma operação que culminou com a detenção do referido curandeiro, semana finda, na sua residência, num bairro próximo da vila sede distrital.

O comandante da Polícia naquele distrito, Gabriel Bomba, contou que não foi fácil localizar o curandeiro, porque muitas vezes se encontrava ausente. Entretanto, na semana finda, a Polícia interpelou-o  na sua casa e tratou de o recolher às celas do Comando.

“Depois de recebermos a informação do Comando provincial, cumprimos as orientações e, depois de algum trabalho, localizámos este curandeiro no quintal da sua casa, com um total de 22 pessoas, dentre elas dez vindas de Quelimane e outras naturais de Mulevala”, disse.

O comandante explicou que a corporação encontrou algumas vítimas em estado debilitado, com sinais de fome e necessidade de cuidados hospitalares urgentes.

Os pacientes foram todos submetidos a cuidados médicos e grande parte já teve alta hospitalar, estando (até ontem) apenas uma paciente internada, que, segundo dados oficiais, padece de doença crónica.

Entretanto, o indiciado nega que estivesse a manter as vítimas reféns, assegurando que “estavam  a receberem tratamento, aguardando que todos melhorassem. Só depois alugaria um carro, para os levar de volta aos seus pontos de origem”.

Otília Buramo, uma das “reféns”, contou à nossa reportagem que, muitas vezes, pediu ao curandeiro que a deixasse regressar a Quelimane, mas este nunca aceitava, alegando que os seus espíritos ainda não o tinham autorizado.

A PRM diz ter lavrado os autos do processo-crime contra o curandeiro, que deverá aguardar decisão judicial detido.

Opais 

Jacinto G. Manusse

É um Empreendedor e Consultor de Marketing Digital que dedica a sua vida à produção e partilha de conteúdos de grande qualidade, contando já com alguns dos mais reconhecidos blogs em Moçambique.

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