Refrigerante Frozy será retirado esta semana do mercado malawiano

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O Frozy foi banido pelas autoridades malawianas alegadamente por representar um risco à saúde pública, uma alegação contestada pelos importadores e vendedores e pelos consumidores.

Estes últimos, argumentam que o Frozy foi banido porque a indústria malawiana não consegue fazer face a concorrência do produto moçambicano, e como tábua de salvação, as autoridades foram convencidas pelos produtores locais para banir o refrigerante.

O presidente-executivo da Malawian Bureau Standards (MBS), Davlin Chokazinga, disse que o seu departamento detectou que os refrigerantes Frozy não estão em conformidade com as normas de qualidade exigidas no Malawi.
Aquela entidade proibiu a importação do Frozy alegadamente porque contêm altos níveis de ácido cítrico e de benzoato de sódio. Esta semana, a polícia e a fiscalização vão passar “pente fino” por todos os estabelecimentos de forma a retirar coercivamente o Frozy do mercado, depois dos comerciantes terem sido advertidos que serão severamente punidos se desafiarem a medida.
Alguns importadores e distribuidores do Malawi criticaram a decisão de impor uma proibição à importação e venda de Frozy, afirmando que a MBS está a agir como ponta-de-lança da Southern Bottlers (SOBO), a fabricante local de sumos e refrigerantes.
O armazenista Sam Kaunda disse que não lhe resta outra saída senão aceitar a medida, mas argumentou que se o Frozy tivesse quantidades não recomendadas de ácido cítrico e de benzoato de sódio, o refresco poderia ter sido proibido em Moçambique, e também no Zimbabwe e Zâmbia, onde igualmente é consumido.

“Será que em Moçambique não existe uma agência que cuide dos testes laboratoriais dos alimentos? Certamente que existe. E então porque o Frozy não foi banido lá? Desde que os malawianos começaram a consumir Frozy, nunca ouvi alguém queixar-se de saúde, ao contrário destas cervejas que o MBS não está impondo uma proibição “, questionou Sam Kaunda.

Kaunda acrescentou que o departamento malawiano de padronização da qualidade parece estar a agir sob a influência do fabricante local de sumos e refrigerantes (SOBO) para a empresa puder recuperar o mercado que perdeu depois do início da venda do Frozy.

“Posso-vos garantir que antes desta proibição imposta pelo MBS, os funcionários da SOBO pediram para pararmos de vender Frozy porque estava a reduzir os lucros deles”, frisou o armazenista Kaunda.

Mas o MBS disse que analisou as amostras do Frozy e descobriu que o nível de ácido cítrico varia de 2.240 a 5.376 mg/kg em comparação com um máximo permitido de 3.000 mg/kg.
Quanto ao benzoato de sódio, o máximo permitido no Malawi é de 1.000 mg / kg, mas segundo o MBS o Frozy foi encontrado com em excesso, com níveis que variam entre 3.248 e 4.256 mg / kg.

Entretanto, a empresa moçambicana Yaafico Industrial, que fabrica a marca de refrigerantes Frozy, rejeitou as alegações do Malawian Bureau of Standards (MBS) de que as bebidas não cumprem as normas estabelecidas pelas autoridades do Malawi. Também acusou o MBS de não consultar a empresa antes da proibição.
A Yaafico Industrial disse que os refrigerantes são certificados pelo Laboratório Nacional de Higiene de Águas e Alimentos (LNHAA) do Ministério da Saúde e são analisados com frequência pelo mesmo.
A empresa mostrou-se aberta a apresentar documentos que indicam que possui um certificado de qualidade emitido pelo Ministério da Indústria e Comércio e colabora regularmente com a Inspecção.
Acusou o MBS de má-fé, uma vez que deveria ter notificado as autoridades moçambicanas sobre o assunto, ao abrigo do protocolo comercial da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral).
Por seu turno, o Ministério moçambicano da Saúde prometeu examinar o refresco Frozy depois de ter tomado conhecimento de que o governo malawiano baniu o produto importado de Moçambique, alegadamente por ser nocivo à saúde pública.
Segundo Nivalda Bomba, do Laboratório nacional de Higiene de Águas e Alimentos, apesar de uma informação supostamente baseada em testes feitos no Malawi e refutada pela entidade produtora dos refrescos em causa, que alega provas anteriores de qualidade, tal não pode constituir matéria suficiente para aprovar ou banir o produto.

RM 

Jacinto G. Manusse

É um Empreendedor e Consultor de Marketing Digital que dedica a sua vida à produção e partilha de conteúdos de grande qualidade, contando já com alguns dos mais reconhecidos blogs em Moçambique.

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