Bancos moçambicanos reagem a rumores de falência e asseguram que se mantêm estáveis

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Bancos moçambicanos afastaram rumores de risco de falência, apontados na imprensa e nas redes sociais, e asseguraram que se mantêm estáveis, após o Banco de Moçambique (BM) ter declarado que o sistema permanece sólido.

O BCI, o Banco Mais e o United Bank for Africa (UBA) Moçambique negaram que os seus rácios de solvabilidade se encontrem próximos da linha vermelha definida pelo BM, enquanto o BancABC, detido pelo grupo Atlas Mara, anunciou um aumento de capital.

Numa carta aos colaboradores a que a Lusa teve acesso, o presidente da comissão executiva do BCI, participado pelos portugueses Caixa Geral de Depósitos (50%) e BPI (30%), considera que os indicadores postos a circular sobre a solvabilidade dos bancos moçambicanos têm gerado “considerável desinformação”, resultante de “mistura de conceitos financeiros” e da recente intervenção do BM no Moza e liquidação do Nosso Banco.

“O BCI cumpre escrupulosamente com todos os rácios prudenciais e reservas obrigatórias fixados pelo Banco de Moçambique, bem com todas as regras e boas práticas estabelecidas a nível internacional, dispondo de uma solidez financeira incontestável, conforme evidenciado nas contas publicadas”, refere Paulo Sousa.

O presidente da comissão executiva do BCI, um dos principais bancos do sistema financeiro moçambicano, assinala que o rácio de solvabilidade publicado a 30 de junho era de 14%, bastante acima dos 8% exigidos pelo BM, e que o recente reforço determinado pelo órgão regulador de reservas obrigatórias “não constitui qualquer constrangimento”.

O BCI, disse ainda, além dos recursos disponíveis, “detém uma relevante carteira de ativos elegíveis para acesso imediato a liquidez adicional”.

Também o Banco Mais – Banco de Apoio aos Desenvolvimentos reagiu a rumores de falência, que lançaram “confusão e, principalmente, uma grande intranquilidade no mercado”.

Numa carta aos clientes a que a Lusa teve acesso, o banco, que tem a Geocapital (44,6%) e a AfricinInvest (39,6%) como acionistas de referência, declarou, “para que não subsista qualquer tipo de dúvida”, que a entidade financeira “cumpre todos os rácios regulamentares do Banco de Moçambique”, incluindo o de solvabilidade, que está fixado em 13,02% e que será aumentado até ao final do ano para 25,21% quando ficar formalizado um aumento de capital.

O BancABC, detido pelo grupo Atlas Mara, anunciou por sua vez na sua página eletrónica um aumento de capital de 10 milhões de dólares (9,5 milhões de euros) com vista “a apoiar as principais iniciativas de crescimento”, sem fazer referência a rumores e ao clima de inquietação que atingiu o sistema bancário moçambicano nas últimas semanas.

Citado num comunicado, o administrador-delegado, Orlando Chongo, refere que o aumento do capital “elevará o rácio de adequação do capital do banco, dos atuais 14%, verificado a 30 de junho de 2016, que já se afigura acima dos 8% estipulados pelo regulador, para mais de 20%”.

O UBA Moçambique também desmentiu informações de que o seu rácio de solvabilidade está abaixo do exigido, considerando que a instituição mantém uma situação financeira “prudencial estável”, com um rácio de solvabilidade de.14,64% e uma “posição sólida de reservas obrigatórias”.

Após o BM ter assumido a gestão do Moza, participado pelo português Novo Banco, e da liquidação, a 11 de novembro, do Nosso Banco, o presidente da Confederação da CTA- Confederação das Associações Económicas de Moçambique, Rogério Manuel, apontou o UBA, de capitais nigerianos, como um dos próximos a falir.

O BM assegurou na sexta-feira que os rácios de solvabilidade do conjunto de bancos moçambicanos que andam a circular nas redes sociais não têm nada a ver com a realidade e que o sistema bancário mantém uma média superior a 14%.

“Não há razão para pânico, porque o sistema bancário está estável, sólido e goza de boa saúde”, afirmou Joana Matsombe, administradora do banco central, em conferência de imprensa destinada a afastar rumores de novas falências iminentes.

HB (EYAC) // VM

Lusa/Fim

Jacinto G. Manusse

É um Empreendedor e Consultor de Marketing Digital que dedica a sua vida à produção e partilha de conteúdos de grande qualidade, contando já com alguns dos mais reconhecidos blogs em Moçambique.

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