Máximo Dias diz que democracia sem alternância não existe

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Máximo Dias, advogado retirado e ex-deputado diz que tem dificuldades em falar sobre a democracia moçambicana, pois não há alternância.

Na sua opinião, quando se fala de democracia sem alternância, é uma democracia que não existe, porque “democracia implica alternância, a não ser que uns que ocupam o poder sejam santos, o que não existe”.

“Nós todos, quando conquistamos o poder, deixamo-nos arrastar pelo vício de querer ter mais dinheiro, em sacrifício do próprio país. Mas, quando há alternância, isso vai-se corrigindo”, disse Máximo Dias, que falava no programa radiofónico “Debate Africano”, da RTP-África.

“Basta dizer que, nas últimas eleições, dos mais de onze milhões de eleitores, só votaram cinco milhões e, desses cinco milhões de eleitores 900.000 votos foram nulos. Sendo o voto nulo um engano, Máximo Dias pergunta se será que os moçambicanos, depois de tantas vezes a votarem, se enganam tanto assim.

E responde que isso é prova nítida de que alguma coisa não vai bem.

“Até porque, nos votos nulos a que estou a referir-me, aparecia o presidente Dhlakama em primeiro lugar, e depois aparecia o voto no senhor presidente Nyusi e voto em Simango”, disse Máximo Dias, acrescentando:

“Houve doze mil mesas de votos em que a Renamo, por incapacidade própria, não consegue cobrir essas mesas e só consegue cobrir três mil, por falta de delegados, ou porque eram impedidos, ou porque não estavam organizados”.

“Quando se pediram as actas, onde é que as actas estavam? Só que, quando o Tribunal Constitucional pediu, as actas desapareceram”, disse Máximo Dias.

Frelimo divisionista

Máximo Dias descreveu a actual situação do país como sendo difícil.

“Nós tivemos vinte e dois anos de paz, e depois alguém resolveu invadir a residência de Dhlakama e, daí, começou a segunda guerra civil”, disse.

“A luta da Frelimo contra o colonialismo admitiu toda a espécie de moçambicanos, todas as raças.

Com o presidente Guebuza em Pemba, no Congresso, disse que só era moçambicano os genuinamente africanos. Porque, quando se fala muitas vezes da africanização da economia, desculpa a expressão, não é africanização, é ‘pretização’ da economia”, declarou Máximo Dias. (Bernardo Álvaro)

CANALMOZ

Jacinto G. Manusse

É um Empreendedor e Consultor de Marketing Digital que dedica a sua vida à produção e partilha de conteúdos de grande qualidade, contando já com alguns dos mais reconhecidos blogs em Moçambique.

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