A Kroll: onde foi o dinheiro?

A Kroll diz que o adiamento do relatório de auditoria à divida ocultada tem a ver com um problema: ela ainda não apurou onde foi o dinheiro. Há muita informação em falta e documentos que está recebendo nos últimos dias, os quais precisam de ser processados. Esta é a sumula de um artigo publicado ontem no nova iorquino The Wall Street Journal (TWSJ).

Trata-se de saber onde foram cerca de 1.600 milhões de USD, tendo em conta que estimativas especializadas apontam que apenas 400 milhões de 2 bilhões de USD foram realmente aplicados nas empresas MAM, Proindicus e Ematum. De acordo com o TWSJ, a Kroll também atribuiu o atraso na falta de cooperação dos actores-chave em Moçambique nas primeiras semanas do seu trabalho. Só em Março de 2017 é que a informação solicitada começou a fluir. (Nota: A mudança da liderança no SISE pode ter sido crucial para esta viragem).
A Privinvest, principal fornecedora deste projecto, também esteve relutante em cooperar no inicio. A firma é propriedade de Iskandar Safa, um empresário frances de origem libanesa. A partir de Março, a Privinvest também começou a disponibilizar o essencial da informação solicitada pela Kroll.

Um dado interessante: A PGR está a tentar rastrear contas bancárias de figuras relevantes no processo, alegadamente domiciliadas no Dubai, mas ainda não obteve a devida cooperação da banca local. Suspeita-se que parte dos fundos foi depositada em contas no Emirado, local onde foi desenhada a operação “segurança costeira”. Sobre o pedido da PGR de levantamento de sigilo bancário na banca local, o jornal diz que isso não vai ser tão frutuoso pois o dinheiro não chegou a entrar em Moçambique.

Uma das linhas da investigação visa apurar até que ponto os valores constantes dos contratos com a Privinvest tem correspondencia com os bens efectivamente fornecidos a Moçambique, incluindo a frota para pescaria de atum e barcos de vigilância marítima de alta tecnologia. (A estimativa, de acordo com uma avaliação especializada, solicitada pelo TWSJ, que visitou instalações em Pemba, é a tal dos 400 milhões de USD). A Privinvest e o Governo moçambicano alegam que esta estimativa não tomou em conta a prestação de vários serviços, incluindo direitos de propriedade intelectual ligados ao desenho e funções das embarcações, manutenção e outros intangíveis.

O TWSJ crê o relatorio da auditoria pode ser politicamente penalizador para o Presidente Filipe Nyusi, uma vez que ele, alega o jornal, participou do processo decisório destes projectos.

Marcelo Mosse

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