“Se alguém, dentro do partido, roubou ao povo, deve ser entregue à justiça. É um ladrão comum e deveria, também, estar na BO à companhia de malta Nini Satar”

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EUREKA por Laurindos Macuácua
Cartas ao Presidente da República (107)
Bom dia, Presidente. Pela primeira vez-há já muito tempo que isto não acontecia- o Estado moçambicano teve que se contorcer para pagar o salário mensal, referente ao mês de Julho, aos seus funcionários.
Aliás, não posso afirmar com toda a certeza que todos foram pagos, pelo menos até hoje, sexta-feira. Isto é muito triste. Mesmo a famosa galinha de cinquenta meticais é preciso dinheiro para adquiri-la, não acha Presidente?
Ninguém, dentre os milhares que vendem essas galinhas de cinquenta meticais, me vai dar uma, “mahala”, só porque citei o nome de Vossa Excelência! E esse atraso salarial aconteceu porque, evidentemente, o País não tem dinheiro. E onde está a causa próxima? Nas dívidas ocultas que, por sua vez, gozam de unanimidade na súcia dos camaradas para não se avançar com nomes dos que desfalcaram o Estado em mais de dois biliões de dólares.
E os tradicionais doadores, que de burros não têm nada, continuarão com as torneiras bem seladas enquanto os ladrões não forem entregues à justiça. É nestes momentos que admiro o cinismo de toda a cúpula frelimista, capaz de sacrificar o povo, só para defender o indefensável.
Se alguém, dentro do partido, roubou ao povo, deve ser entregue à justiça. É um ladrão comum e deveria, também, estar na BO à companhia de malta Nini Satar.
Não se pode dispensar um lugar de cátedra a um ladrão. Como é que bandidos vivem como nababos na Tailândia ou mesmo em zonas para privilegiados em Maputo? A falta de dinheiro para o Estado pagar os salários dos seus funcionários pode estar relacionada com a fraca procura pelos Bilhetes do Tesouro, que o Governo da Frelimo tem emitido para financiar o défice do Orçamento do Estado desde a “fuga”, em massa, dos donos do dinheiro.
Por exemplo, um dos últimos leilões dos Bilhetes do Tesouro esteve às moscas. Ou seja, nos últimos dois leilões, realizados pela Bolsa de Valores de Moçambique, era pretensão do Executivo arrecadar qualquer coisa como 2,5 biliões de meticais. Todavia, o que saiu foram 260 milhões de meticais.
Como é que um Estado vai funcionar dessa maneira? Isto não é nenhuma barraca!

Se é através das Obrigações do Tesouro e dos Bilhetes do Tesouro que o Estado vai buscar dinheiro para se financiar e cobrir o défice orçamental e, no entanto, redunda em fracasso, como sair disto?
Presidente: esses senhores roubaram ao Estado mais de dois biliões de dólares. Esse dinheiro devolveria oxigénio a este País. E onde moram esses ladrões é fácil de localizar. Eu até ofereço–me a indicar as suas residências. Afinal, do que a justiça tem medo? Por que esses bandidos devem ser protegidos?
À luz disto tudo, não vejo razão para votar na Frelimo. Pode ser até que o meu não votar não faça diferença, mas, pelo menos, estarei de consciência limpa. Não terei participado nessa palhaçada de colocar, mais uma vez, os mesmos ladrões no poder!
E esta terça-feira, não se realizou o habitual Conselho de Ministros. O Presidente está em pré-campanha- custeada pelo bolso do mísero cidadão – na província de Tete; Adriano Maleiane, o ministro da Economia e Finanças, quando escrevi esta carta, estava fora; o Carlos Agostinho do Rosário, o primeiro-ministro, estava no Niassa a dinamizar o povo, a atender tarefas partidárias.
Provavelmente, o dinheiro que o levou ao Niassa – voo em primeira classe, hospedagem condizente, pocket money e tais – não saiu dos cofres do partido Frelimo. É dinheiro do povo. Temos funcionários públicos, que são pagos pelo Estado, mas gastam o seu tempo a atender expedientes político-partidários.
Não me posso banhar neste mar. Está poluído de laxismo, compadrio e nepotismo e corrupção desenfreada. Mas, com cinismo, os mesmos indivíduos dizem à boca cheia que são os salvadores da pátria.
É um feudo, este Moçambique do Laurindos!
DN 

Jacinto G. Manusse

É um Empreendedor e Consultor de Marketing Digital que dedica a sua vida à produção e partilha de conteúdos de grande qualidade, contando já com alguns dos mais reconhecidos blogs em Moçambique.

One thought on ““Se alguém, dentro do partido, roubou ao povo, deve ser entregue à justiça. É um ladrão comum e deveria, também, estar na BO à companhia de malta Nini Satar”

  • Agosto 4, 2018 at 6:29 pm
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    Conheço uma amiga que costuma dizer, este “país está doente e é anormal”. Bem sabemos que o povo é literalmente “analfabeto”, safa-se quem desmembra-se do sistema. Um povo que não conhce os seus direitos e deveres ao ponto de lutar por eles. Um povo que não sabe avaliar a ética e moral, que não sabe definir e compreender os parâmetros que regem a democracia, um povo manco e burro literalmente. Os fortes encontraram esta fraqueza e sobrevivem dela, enquanto continuarmos analfabetos seremos eternamente governados por aqueles que se aproveitam da nossa burrice para continuar acima da lei.

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