Ninguém está a fazer caça às bruxas, porque na FRELIMO não há bruxas por caçar! Tu te sentes “bruxa” porquê?

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Carta pública ao meu pai e ídolo político GUEBUZA

By Julião João Cumbane

Pai, hoje quero dizer-te outras verdades dolorosas.

Tu, Armando Emílio Guebuza, és o meu pai e ídolo político. Gosto muito da tua frontalidade e honestidade. Mas não gosto dos teus excessos.

Tu enganaste os moçambicanos durante 10 anos. Inventaste o discurso de “luta contra a pobreza” para ganhares espaço e enriqueceres ilicitamente. Não vale a pena negares esta verdade. Não continues a pensar e crer que és mais inteligente que todo um povo. Eu fui ao teu gabinete avisar-te que estavas a dirigir o país com base em mentiras, e tu desprezaste o meu alerta.

Joaquim Alberto Chissano fez uma coisa melhor que tu. Ele conseguiu colocar a Luísa Dias Diogo a negociar e conseguir o perdão da dívida externa de Moçambique. Ele enriqueceu ilicitamente, também, mas sem lesar a Pátria. Saiu “limpo” do poder, razão bastante para ele merecer o respeito que se lhe tem dentro e fora de Moçambique, mesmo não sendo tão honesto e benfeitor quanto se julgue. Nenhum homem político é imaculado! O Joaquim não pode ser excepção.

Mas tu, pai Armando Emílio Guebuza—meu “ídolo” político raconroso—chegaste ao poder e f*deste a prostituta de Moçambique sem pagares pelo serviço prestado. Depois chamaste Filipe Nyusi para ser teu sucessor—ele inocente das tuas falcatruas—, pensando tu que ele seria teu escudo. Erraste! Nem eu, teu filho e discípulo, faria esse papel. Ninguém deve defender falcutruas de outrem.

Sabes, pai? Tu transformaste o Estado moçambicano num império pessoal teu. Geriste Moçambique execrando a crítica. Ignoraste e odiaste todos os que tinham opinião contrária à tua. És muito sensível à adulação. Por isso fizeste-te ladear por uma legião de bajuladores e oportunistas, para seres todo soberano, sem oposição. Nesta colocação, os teus críticos acérrimos tinham razão.

Eu sei que ainda te lembras de eu ter dito, alí na varanda daquele antigo gabinete que virou museu, que estavas a dirigir o país com base em mentiras. Fingiste que me estavas a ouvir. Mas eu notei que me achaste muito atrevido. Eu estava a tentar ser útil para ti. Estava eu a tentar evitar que tu fosses um lesapátria.

Noutro momento, também te disse que os teus juristas não te estavam a dar bons conselhos. Quiseste humilhar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), constituída para investigar as “dívidas ocultas”, e foste infeliz. Eu disse-te que a tua arrogância durante a audiência na CPI tinha sido inapropriada. Lembras-te? Eu sempre te disse verdades, mesmo sabendo que algumas delas são dolorosas, como as que estou dizendo aqui. Nunca te adulei. Sempre te tratei com igual carinho e respeito com que (eu) tratava meu pai, que Deus o tem!

Transformaste o Serviço de Informações e Segurança do Estado (SISE) numa organização criminosa e antipatriótica. O que se fez com parte significativa do dinheiro das dívidas ocultas atesta o que estou dizer neste parágrafo. Não adiantou fazeres aquela intervenção ridícula na recente sessão ordinária do Comité Central da FRELIMO. José Óscar Monteiro, mesmo sendo o que sempre foi—instigador do divisionismo—disse uma verdade naquela reunião: tu foste enganado por Teófilo Nhangumele, sim! E o que é pior é que o Teófilo usou todo o teu pessoal—incluindo teus filhos, meus irmãos—para te enganar. Ele, o tal de Nhangumele que disseste não conheceres, sabia que tu não resistes ao dinheiro fácil.

Sabes, pai Armando Emílio Guebuza…? Se tu não sabes, agora eu digo-te uma outra verdade. É (o) seguinte:

Aquele teu director de inteligência económica está a usar parte do dinheiro das “dívidas ocultas” para financiar instabilidade em Moçambique. Até que se lhe podia enfiar um tiro na testa, lá na cadeia civil onde ele recebe visitas nocturnas ilegais a troco de pagamento de subornos aos guardas prisionais. Está vulnerável. Mas assim não será feito. A nossa justiça o vai julgar e condenar nos termos das nossas leis. Depois o resto há-de se ver…!

A propósito de leis, lembras-te que alguém vez me disseste que não devemos violar as leis que nós próprios aprovamos. Tu fizeste o contrário, pai: violaste muitas vezes as nossas próprias leis, para benefício próprio!

Esta carta é o desabafo de um filho desiludido com seu pai. Não quero morrer sem tornar pública esta minha dor. Sim, estou muito desiludido contigo, pai! E tenho comigo uma pergunta que me apoquenta. É seguinte:

Será que tu, Armando Emílio Guebuza, não sabes que aquele “rapaz” ora detido e armado em “esperto” usou parte significativa do dinheiro “desaparecido” das “dívidas ocultas” para contratar os mercenários que recrutam, aliciam, treinam e introduzem em Moçambique os bandidos armados que estão a semear luto e destruição em Cabo Delgado? Não sabes mesmo?

Pergunto assim porque duvido que não saibas, qual também já duvido que não soubesses do uso indevido dos dinheiros obtidos através dos créditos secretos da EMATUM, MAM e PROINDICUS, sendo tu que instruíste Manuel Chang para os avalizar em nome do Estado moçambicano. Aqueles créditos colocaram todo um país e seu povo, nós moçambicanos, num abismo que o teu ego doentio não te permite reconhecer.

Em vez de reconheceres públicamente os teus erros, exiges reconhecimento público pelo bem que fizeste ao teu país e ao teu povo. Não estás a ser razoável, pai! Pára de andares a exigir reconhecimento pelo que fizeste de bem por Moçambique! Ninguém te deve favores por teres participado na luta de libertação nacional deste país. Foste para aquela luta voluntariamente, por causa do teu elevado sentido de missão patriótica. E no cumprimento duma missão há sempre cometimento de erros. É da natureza humana. Pede desculpas ao teu povo pelos teus erros e pára de te desdobrares em justificações que só te tornam mais ridículo! Pára de confundir autoestima com egocentrismo, pai!

Ninguém está a fazer caça às bruxas, porque na FRELIMO não há bruxas por caçar! Tu te sentes “bruxa” porquê? O povo moçambicano está à espera do teu pedido público de desculpas pelos erros que cometeste e não das tuas justificações e exigências de reconhecimento. Não nos fizeste nenhum favor. Apenas cumpriste uma missão patriótica que a aceitaste de livre vontade quando te foi proposta. Não nos obrigues a ver só o bem que fizeste por nós. Também cometeste erros e exigimos que os reconheças e por eles nos peças desculpas. Isso fará muito bem à tua autoestima e ao bom nome da tua família. Pára hoje e para sempre com essa tua teimosia inútil!

Enfim, se ficar definitivamente estabelecido, fora de qualquer dúvida, a tua ligação com os ataques terroristas em Cabo Delgado, eu serei quem vai tomar conta de ti, pessoalmente! Tu és meu pai, Armando Emílio Guebuza! Não quero que me desonres por causa desse teu ego. Insisto que tu deves um pedido de desculpas ao povo moçambicano, que lesaste grandemente durante a tua administração. Deves-nos desculpas porque em vez de combateres a pobreza fizeste-nos mais pobres! O teu discurso era falso, cheio de mentiras fabricadas para te agradar. A verdade, porém, é que a tua administração deixou o país muito endividado e com uma economia deficitária. As estradas, escolas e unidades sanitárias construídas durante os teus dois mandatos como Presidente da República foram duma qualidade muito inferior. Tu institucionalizaste o saque do erário por “empresários” desonestos. Poupa-nos, pois, desse teu discurso arrogante, pai, por favor! Pede desculpas públicamente, para o povo mudar a opinião errada que tem a teu respeito! Isto não é te pedir demais; é o necessário para o teu bem, e para o meu também.

Mais (eu) disse.

Jacinto G. Manusse

É um Empreendedor e Consultor de Marketing Digital que dedica a sua vida à produção e partilha de conteúdos de grande qualidade, contando já com alguns dos mais reconhecidos blogs em Moçambique.

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