Execuções sumárias na Renamo?

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Carta denuncia assassinato de um coronel por ordens de Ossufo Momade
– Entretanto, José Manteigas, porta-voz do partido desmente a veracidade do conteúdo da carta e diz que “é de gente que nos quer desviar do foco”
É a premonição que se concretiza. Muitos adivinhavam momentos extremamente difíceis de gestão da Renamo no pós Dhlakama. E desde 3 de Maio de 2018 a esta parte já se passaram 13 meses, mas a Renamo continua ainda a tentar atravessar o deserto. 


Depois da guerra pelo controlo da delegação provincial da cidade da Beira e da província de Sofala, agora são altas patentes militares da Renamo, alegadamente estacionadas em Gorongosa, que denunciam perseguições e execuções sumárias. Segundo dizem, as perseguições, assassinatos e o estado de medo instalado na Serra da Gorongosa são obra do general Ossufo Momade, presidente da Renamo, eleito no Congresso que teve lugar em meados de Janeiro último. 
Ou seja, alguns militares de alta patente na hierarquia dirigente do partido dizem que estão a ser perseguidos por Ossufo Momade. Dizem que a única culpa deles é terem-se mantido fieis a Afonso Dhlakam por todo o tempo que o líder histórico da perdiz precisou deles. Acrescentam que é ideia principal de Ossufo Momade formar segurança dele. Uma segurança composta essencialmente por pessoas de sua confiança. 


A título de exemplo, uma carta que foi enviada à Comissão Política Nacional da Renamo, ao Conselho Nacional do partido, ao corpo diplomático acreditado em Moçambique, à Comunidade de Sant` Egidio, entre outras organizações, denuncia o assassinato do coronel Josefa Isaías de Sousa. O autor da carta-denúncia identifica o coronel Josefa Isaías de Sousa como comandante da Contra Inteligência Militar da Renamo e figura que, aquando do Congresso de Janeiro, assumiu-se como porta-voz do Estado Maior do partido. 


Diz a carta que Josefa de Sousa foi assassinado por ordens de Ossufo Momade a 3 de Junho corrente, exactamente um dia depois de o Presidente da Renamo ter-se reunido com o Presidente da República, Filipe Nyusi, em Chimoio. A carta exige que a Renamo convoque imediatamente uma reunião da Comissão Política Nacional para a convocação de uma reunião extraordinária do Conselho Nacional do partido no sentido de analisar a denúncia e seguidamente deliberar a interrupção do mandato de Ossufo Momade e criação de uma comissão para a gestão do actual processo eleitoral. 


É falso isso 


Entretanto, contactado pelo mediaFAX para reagir em torno destas colocações, o porta-voz da Renamo, José Manteigas, foi peremptório a classificar como “falsas” as informações constantes no documento, igualmente, enviado à sede do partido. José Manteigas disse que a Renamo não pactua com assassinatos efuzilamentos como a carta faz referência, tanto que foi criada exactamente na lógica de lutar contra este tipo de práticas.


“É falso isso. Isso é falso. É contra informação movido pelos nossos adversários, exactamente para desviar o nosso foco” – anotou José Manteigas, que entende que este é momento de o partido trabalhar para ganhar as eleições de 15 de Outubro próximo. 
Perguntamos a José Manteigas se poderia esclarecer o assunto pedindo uma aparição pública e diante da imprensa do coronel que a carta o coloca como tendo sido morto por ordens de Ossufo Momade. A resposta foi claramente negativa, pelo menos por enquanto, alegadamente porque “aquele é militar e não tenho aqui contacto dele”. 


Apesar da rejeição defendida por Manteigas, uma fonte da direcção da Renamo deu indicação de haver uma grande percentagem de a denúncia ser verdadeira porque “há sim sinais pouco saudáveis entre a guarda que estava directamente a trabalhar com Dhlakama e os homens actualmente em serviço de segurança para Ossufo Momade”.


MEDIA FAX 

Jacinto G. Manusse

É um Empreendedor e Consultor de Marketing Digital que dedica a sua vida à produção e partilha de conteúdos de grande qualidade, contando já com alguns dos mais reconhecidos blogs em Moçambique.

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