Dívidas ocultas: Guebuza terá pedido apoio da Privinvest para FRELIMO

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Jean Boustani, principal arguido nos Estados Unidos no caso das dívidas ocultas de Moçambique, afirmou em tribunal que o ex-Presidente Armando Guebuza pediu apoio da Privinvest para a FRELIMO.

No depoimento desta terça-feira (19.11), Jean Boustani, acusado pelos procuradores norte-americanos, afirmou que Armando Guebuza pediu à empresa de construção naval Privinvest apoio para a segurança em Moçambique, atração de investidores internacionais, aumento de investimentos no país e apoio à Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO).

A Privinvest, com sedes no Líbano e nos Emirados Árabes Unidos, era a fornecedora para um projeto de proteção da zona exclusiva económica (ZEE) de Moçambique. O pedido terá sido feito durante uma reunião, em 2013, no Palácio da Presidência, em Maputo, indicou Boustani.

Documentos da acusação dos Estados Unidos, apresentados em tribunal há um mês, registam o pagamento de dez milhões de dólares (nove milhões de euros) de uma subsidiária da empresa Privinvest à Frelimo em quatro tranches, em 2014.

Quatro faturas de transferências em 31 de março, 29 de maio, 19 de junho e 3 de julho de 2014 num total de dez milhões de dólares foram enviados pela empresa Logistics International de Abu Dhabi, subsidiária da empresa Privinvest, com destino à conta detida pelo Comité Central da FRELIMO no Banco Internacional de Moçambique.

Reuniões

Em tribunal, o negociador da Privinvest disse na terça-feira em tribunal que, em janeiro de 2013, teve duas reuniões privadas com Armando Guebuza para falar sobre o “empenho no projeto ZEE” e a “falta de resposta moçambicana”. Boustani indicou ter viajado para Maputo para encontrar Guebuza e discutir o projeto de proteção da ZEE, porque de Moçambique “não havia sinais, esperança, novidades”.

No primeiro encontro, Armando Guebuza sublinhou “a visão que tinha para o projeto e a satisfação em realizá-lo, por uma razão estratégica para a segurança de Moçambique”, disse Boustani, questionado pelo advogado de defesa.

“No dia seguinte, fui ao Palácio da Presidência com Armando Júnior, seu filho”, lembrou o arguido, acrescentando que o segundo encontro com o chefe de Estado foi “mais curto e direto”.

Pedidos

Na segunda reunião, Jean Boustani disse que “Armando Guebuza pediu quatro coisas” à Privinvest, nomeadamente, estabilidade e segurança no país, e mais investidores estrangeiros em Moçambique, devido ao êxito do projeto.

“Tragam mais investidores para todos os setores económicos e não só de recursos naturais, mas também para o turismo, indústria e produção ‘made in Mozambique'”, disse Boustani, citando o ex-Presidente moçambicano.

“Número três”, enumerou o arguido em tribunal, o Presidente disse querer “ver mais investimentos” da empresa no país, sem atuarem “como qualquer antigo empreiteiro que vem a África, vende e sai”. Boustani explicou que mais tarde Guebuza fez mais um pedido: “quero que apoiem também a FRELIMO”, terá dito, de acordo com o arguido. (Agência Lusa)

Jacinto G. Manusse

É um Empreendedor e Consultor de Marketing Digital que dedica a sua vida à produção e partilha de conteúdos de grande qualidade, contando já com alguns dos mais reconhecidos blogs em Moçambique.

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